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O novo não é necessariamente feito agora

Mostrei o texto sobre rock para a professora Anita e ela fez o seguinte comentário : "E vc. curte Black Sabbath, Deep Purple e Led Zeppelin? Isso é da minha adolescência...rsrsrs, tão velho... Fico achando tão gozado."

Tive que responder...rs...

Anita gostou da resposta e até sugeriu que colocasse a resposta aqui. Segue abaixo o e-mail.

"...sobre as "músicas velhas", acho que seria bobagem da minha parte não ouvir Beatles, Rolling Stones, Mutantes, Secos e Molhados, Deep Purple, Pink Floyd e Led Zeppelin(essa, a melhor banda que já pisou nesse planeta!). Esses artistas são bons justamente por ultrapassar a barreira da temporalidade e serem vigorosos e inovadores até hoje. Isso sem falar que seria covardia comparar, em termos musicais, esses "de antigamente" com os de agora, pois os de agora só existem porque eles existiram e a qualidade dos de agora é muito inferior...

Exagerando, seria o mesmo que perguntar por que ainda hoje vemos filmes do Eisenstein, Orson Welles, Glauber Rocha, Leon Hirszman, Bergman, Pasolini, Fellini ou Antonioni. Ou por quê ainda lemos Marx, Weber e Durkheim. 

Ou seja, são clássicos. São a fonte. E pra tentar entender a música pop de agora tem que passar por eles. O que é, é.

O que acontece é que a comparação é inevitável e após a comparação não queremos mais ouvir os de agora, chegamos até a perder a curiosidade pelo novo atual a cada vez que (re)descobrimos um novo que foi produzido há 40 ou 50 anos. Música pop sempre foi sinônimo de superficialidade, descompromisso, diversão, sucesso comercial, mas o pessoal de hoje abusa! Dia desses o amigo Marcelo Ducatti fez uma provocação: "qual banda importante saiu nos anos 2000?".Fiquei a pensar nisso por uns dias, até fiz uma pesquisa rápida na internet sobre isso que me levou a constatar que a 1ª década dos anos 2000 foi pior que a de 1980. Tudo bem, apareceram algumas bandas boas como o Strokes, White Stripes, Queens of the Stone Age e The Mars Volta. Mas nenhuma delas lançou algum disco significativo, desenvolveu algo ou coisa que o valha. Como disse o Thiago do 1/2 Dúzia de 3 ou 4: " essa é uma geração sem manifesto"

Lembro que quando comecei ouvir música em 1991/92, com oito ou nove anos (eu sei, eu sou precoce), o que fazia muito sucesso era a banda Guns n' Roses. É claro, fui vítima da Indústria Cultural, adorava o Guns, sobretudo os discos "Appetite for Destruction" e "Use Your Illusion (I e II)" até perceber que o Slash (guitarrista do Guns) usava uma guitarra parecida e tinha os trejeitos paracidos com o Joe Perry (guitarrista de outra banda de sucesso na época - Aerosmith) e a guitarra e os trejeitos desse se parecia com o Jimmy Page do Led Zeppelin. Aí é só somar 2+2. Descobri Led Zeppelin e dei adeus ao Guns, hehe...

(Não somos nós que estamos ficando velhos, a música é que era muito melhor, rs)"

Ah, aos 15 anos eu descobri Tom Jobim, Djavan e em seguida a Tropicália, mas isso é outra história...



Escrito por andré às 18h12
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Cala a boca Caetano!

Alguém pode me explicar como uma mesma pessoa pode ser absolutamente genial em um momento ao ponto de fazer do Transa um dos melhores discos da história da música e em outro momento falar tamanha besteira:

"Woody Allen é um careta, um cineasta pequeno. De visão estreita, mas é um cara legal, com frases brilhantes".

Os anos só fizeram mal pra cabeça do baiano. Se ele tivesse morrido no início dos anos 80 teria sido bom pra ele e pra nós...



Escrito por andré às 10h37
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Larte...sempre ele.


Manual do Minotauro



Escrito por andré às 15h19
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Posso perder minha mulher, minha mãe...

Segue abaixo um texto meu publicado na Revista Circulô Conceitual. Dá um click na playlist abaixo antes de começar a ler.


 

(Fica aqui um beijo pra grande amiga Analice! Querida, eu faço outras coisas além de ouvir música, hehe...É que a questão não é nem viver com ou sem música. Música é maior que isso tudo...)

It’s only Rock n’ Roll (But I like it)

Uma breve história do gênero musical que mudou a história da música. 

Poucos gêneros musicais conseguiram ou conseguem ir além da música, envolver um estilo de vida, mudar a visão de mundo dos seus ouvintes ou adeptos. Dentre esses poucos, sem dúvida alguma, o Rock and Roll tem lugar de destaque. Não podemos afirmar categoricamente a razão dessa particularidade, mas podemos encontrar algumas sugestões se olharmos para sua história e observarmos a força, originalidade e autenticidade do Rock.

Na década de 1950 no sul dos Estados Unidos os escravos negros trazidos de diversas regiões da África para serem explorados nas plantações de algodão entoavam cantos que eram uma mistura da música africana com a música européia. Desses cantos nasceu o blues: focado basicamente no vocal e era geralmente acompanhado apenas por violão. Essa estrutura rítmica e melódica viria a ser a base do rock.

Dos derivados do blues, um dos elementos fundamentais para a criação do rock n' roll foi o ‘rhythm and blues', caracterizado como uma versão mais agressiva e rápida do blues fazendo uso já da guitarra elétrica, cujo crescimento e popularidade atingiram níveis impensados no fim da década de 1950. O rhythm and blues se formou a partir da necessidade dos cantores em se fazer ouvir nos bares em que tocavam, já que os sons dos instrumentos elétricos exigiam um canto mais gritado. É com o rhythm and blues que é possível buscar as origens corpóreas do Rock. Reprimidos pela sociedade branca, anglo-saxã e protestante, a mão-de-obra negra, desde os tempos da escravidão, se refugiava na música (os blues) e na dança para dar vazão, pelo corpo, ao protesto que as vias convencionais não permitiam.

Enquanto o blues se desenvolvia nos campos e pequenas cidades, nas grandes cidades por sua vez tocava-se o jazz e o country e nas igrejas evangélicas desenvolvia-se a música gospel negra.

Após a Segunda Guerra Mundial e com o desenvolvimento industrial muitos dos que estavam nos campos se viram forçados a migrarem para as cidades forçando o relacionamento entre brancos e negros e a tensão social e racial, mas também favorecendo a influência mútua entre a música negra (blues e seus derivados) e a música branca (principalmente country e jazz). 

Os jovens brancos começaram a se interessar pela música negra dos guetos. E esses jovens começaram a contestar a tradicional sociedade norte-americana e recusar o mundo sem, no entanto, chegar a uma visão crítica da realidade, divididos entre amor/pacifismo e violência/autodestruição.

Outra revolução estava em curso: o sexo. Sexo deixava de ser tabu e passava a ser considerado diversão (tanto para o homem como para as mulheres). As canções de amor passavam a dar lugar a letras mais sacanas.

A mistura explosiva da empolgante música negra com o consumismo branco adolescente havia sido feita... A explosão era questão de tempo...

O termo Rock and Roll era uma gíria dos negros americanos, referente ao ato sexual, presente inclusive em muitas letras de blues (a exemplo de My Daddy Rocks Me With a Steady Roll da cantora Trixie Smith, de 1922). O disc-jockey Allan Freed, radialista de programas de rhythm and blues de Cleveland, Ohio foi o responsável por usar o nome sonoro para denominar o novo estilo musical, o qual já não era blues, rhythm and blues ou country, mas uma fusão deles todos.

Musicalmente falando, quem primeiro definiu o estilo rock and roll foi Bill Haley. A data mais comumente aceita como a da criação do rock and roll é a do lançamento da música (We’re Gonna) Rock Around The Clock de Bill Haley and The Comets, em 12 de Abril de 1954, embora dezenas de gravações anteriores já apresentassem um ou outro fator do que viria a se cristalizar como rock and roll (o próprio Bill Haley havia gravado no mesmo ano, um pouco antes, a música Shake Rattle and Roll).

Para que aquele aparente modismo de juventude se transformasse em revolução foi necessário que um branco e símbolo sexual cantasse e dançasse como um negro; e esse branco foi Elvis Presley. A sensualidade presente na voz e na sua maneira de dançar, que transformaram Elvis numa super estrela do rock, tornou-o um exemplo clássico da influência negra sobre a sociedade branca norte-americana. O sucesso do rock n’ roll fez com que as grandes gravadoras procurassem novos artistas. Incluindo os negros Chuck Berry e até mesmo Little Richard, este ainda por cima afeminado, maquiado e com um penteado no mínimo exótico, cantando em seu primeiro verso o que viria a ser para sempre o grito de guerra mais conhecido do rock and roll, tão indecifrável quanto contagiante... "a wop bop a loo bop a lop bam boom"... A música “Tutti Frutti”.

Do outro lado do oceano, na Inglaterra, na cidade de Liverpool estava tomando forma um movimento cultural que tomou o nome de um fanzine musical local, Mersey Beat. Entre as bandas locais já se destacavam os Beatles. Contratados por George Martin da EMI, após terem sido desprezados pela gravadora Decca, em 1963 os Beatles já eram um sucesso sem precedentes usando a formula de juntar o apelo fácil de músicas cativantes à grande presença, bom humor e algum cinismo em entrevistas, que chamavam a atenção da imprensa. Era estranho também para a época que fossem os próprios membros da banda responsáveis por grande parte de suas composições. Com um cover de Come On (música de Chuck Berry) estreava também na Inglaterra a banda Rolling Stones, a atitude irreverente dos Stones, com seus freqüentes escândalos, era a antítese perfeita à educação e boa aparência dos Beatles, conquistando a parcela mais rebelde do público.

A partir de então o Rock n’ Roll já estava consolidado e possibilitava novas experimentações musicais, fundindo com novas técnicas, drogas ilícitas (muito influente para o Rock Progressivo e o Rock Psicodélico), política e comportamento (o que, dentre outras coisas, geraram o movimento hippie se tornando notório com o festival de Woodstock em 1969). Indo desde as primeiras guitarras distorcidas com o Yarbirds, The Who, Cream até a tríade seminal do Rock pesado: Black Sabbath, Deep Purple e Led Zeppelin. 

O Rock n’ Roll sempre dialogou com a realidade e por isso permitiu que ele próprio fosse repensado, refeito e até mesmo renomeado por isso dentro do Rock surgiram diversos movimentos, dentre eles o Garage rock, Rockabilly, Surf Music, Folk Rock, Rock psicodélico, Rock Progressivo, Glam Rock, Hard rock, Heavy Metal, Arena rock, Punk Rock, New Wave, Pós-punk, Glam metal, Rock alternativo, Grunge, Britpop, Riot grrrl, Metal progressivo:, Metal alternativo, Indie Rock, Post Rock, Trash Metal, Nu metal, Death metal, Black metal, Rock industrial, Metalcore, Pop punk,etc. E no Brasil com Os Mutantes, Secos e Molhados, o pop rock dos anos 80, etc., o rock assumiu outras particularidades.

Apesar de vivermos momentos não muito criativos ou transgressores para o Rock n’ Roll sabemos que não precisamos nos preocupar porque o “Rock n' roll never die!”, então aumenta que isso aí é Rock and Roll!!!



Escrito por andré às 00h34
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Theodoro o porteiro


Esse é o Théo (click em cima pra saber)
Ilustração feita por Marcelo Ducatti para um conto meu. Nosss! Gozei, rs...



Escrito por andré às 15h12
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BRASIL, Sudeste, SAO CARLOS, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, Arte e cultura, Política, Filosofias de Buteco
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