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Poetas?

Sim,
 
Há aqueles que brigam com tudo,
e se pretendem Quixotes,
mas quando em palco cai o fundo
uma verdade se remove
 
e o que se vê é outra cena,
onde, fantoches de si mesmos,
pintam um quadro surreal –
em meio a tons pastéis-torresmos
outra comédia nos acena:
egos inflados em carnaval.
 
Somem as lanças de papel,
das armaduras ficam nus
e gesticulam querubins,
mascarados pelo céu
 
de suas solidões em vão.
 
Há um que berra e surta,
em exagero oligofrênico –
enquanto a “coréia” o aplaude
e vaia um pobre inculto
que percebe o fingimento.
 
Um outro se diz alquimista,
capaz de transformar em ouro
a merda, se lhe fizerem coro –
sua platéia goza uníssona.
 
E, assim, nas noites das décadas,
exibem-se os menestréis
nesta cidade em que as pétalas
são notas de rodapés.
 
Mais vale expor a intimidade
do que escrever algo que valha –
pois, se a poesia falha,
a biografia, quem sabe?
 
“Cada qual com seus problemas”,
loucura, magia ou fimose,
serve ao público que os devore,
fingindo comer poemas.
 
No entanto, lá, no canto
do boteco, o poeta
que finge sem ser cancro
de si mesmo, observa,
 
ao sofrimento da luz,
que fulgura em seus neurônios,
reinventa o que traduz
em seus goles de plutônio.
 
Em sua dignidade de Cervantes,
eu, um reles Sancho Pança,
observo-o a distância:
a anunciação do mito andante.

Yury Miyamura

Eu sei, é o quarto post seguido que não coloco um texto meu aqui. Mas trabalhar e lidar com o final do semestre é hard core. E tem algumas coisas que chegam até mim ou que eu encontro que tenho que compartilhar.Assim como essa poesia que o Yury mandou pra mim, segundo ele, por engano...sorte a nossa que ele se enganou...



Escrito por andré às 14h03
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Sinistro


É uma pena eu não saber a autoria...



Escrito por andré às 11h02
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ai que inveja...


Linier's



Escrito por andré às 11h18
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20 de novembro


...I've got my freedom, I've got the life!



Escrito por andré às 16h58
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Timoneiro

E quanto mais remo mais rezo
Pra nunca mais se acabar
Essa viagem que faz
O mar em torno do mar
Meu velho um dia falou
Com seu jeito de avisar:
- Olha, o mar não tem cabelos
Que a gente possa agarrar

As coisas já tomaram tamanha proporção que atualmente poucos se questionam. Refletir virou esporte de luxo. E o que a maioria tem feito é somente torcer (ou rezar) pra que a viagem não acabe enquanto corre. Pra que dê tempo de terminar a faculdade, conseguir um outro emprego, encontrar um grande amor, quitar as dívidas, conseguir uma casa própria ou somente tomar uma caipirinha no final da tarde de sexta-feira...
Tenho a nítida impressão que muitas vezes estamos somente à deriva, sendo carregados.
Semana passada senti um estranhamento ao ver as luzes e enfeites de natal. Não sei se por não me importar com isso (desde criança - agradeço à Deus por meus pais serem cristãos luteranos e nunca terem feito essa bobagem de ceia às 00h) e ter já desconstruído essa imagem falsa de felicidade comprada nos finais de ano aquilo causou estranhamento por não significar nada.
Não sei se aquele que espera ansioso pela data e se alegra ao colocar os enfeites e luzes em suas casas se sente melhor que eu por ter um objetivo de ser feliz ao menos essa época do ano. Por outro lado, esse sujeito se torna um desgraçado maior quando não consegue nem isso; quando não tem uma ceia de natal as 00h com presentes e panetone Bauduco.
Mas acho que o maior espanto foi de cair a ficha que o ano passou rápido (aliás, tenho a impressão que cada ano é menor) e que foram poucas vezes que consegui refletir sobre algo, pensar algo novo, ter uma boa idéia e rir com os amigos sem olhar no relógio...

Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar
Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar
É ele quem me navega
Como nem fosse levar
É ele quem me navega
Como nem fosse levar

Reparem que é muito diferente do "deixa a vida me levar (vida leva eu)"  - que é ruim até de sintaxe. Está claro que não se tem mais controle, é o mar que nos navega, ou é a vida que nos vive e ou nos traga e não nós que vivemos a vida(mesmo porque viver a morte seria algo esquisitíssimo - piada infame). O ritmo de vida imposto é muito mais selvagem do que parece (e ele não tem cabelos que a gente possa agarrar). É aí que a angústia, essa bandida, ataca. E leva cada um a escolher uma loucura particular para tentar se aliviar dela.

Timoneiro nunca fui
Que eu não sou de velejar
O leme da minha vida
Deus é quem faz governar
E quando alguém me pergunta
Como se faz pra nadar
Explico que eu não navego
Quem me navega é o mar

Como bom cristão luterano, comunista e materialista histórico (adoraria ver sua cara de ponto de interrogação agora se perguntando: como isso é possível?) não me sinto impelido a deixar esse leme nas mãos de Deus. É mais confortante, eu sei, mas creio tanto em Deus que penso que Ele nos fez com capacidade mental, intelectual, emocional, psicológica e física suficientes para que nós mesmos resolvêssemos nossos problemas humanos e terrenos. Para o problema que a alma encerra e que não conseguiríamos resolver Ele domonstrou seu amor infinito através de Cristo. Agora o resto (se é que a existência é "só" o resto) é por nossa conta.

Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar
Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar
É ele quem me navega
Como nem fosse levar
É ele quem me navega
Como nem fosse levar

A rede do meu destino
Parece a de um pescador
Quando retorna vazia
Vem carregada de dor
Vivo num redemoinho
Deus bem sabe o que ele faz
A onda que me carrega
Ela mesma é quem me traz

É desesperador não ter resposta, sobretudo para quem faz a pergunta. Por isso tento lançar a rede todos os dias, mesmo que ela volte vazia, mas cheia de dor, na maioria das vezes. Porque saber que está nesse redemoinho já é grande coisa, saber que não dá para escapar dele possibilita arquitetar planos para lançar novas redes. Por saber que as coisas daqui nós resolvemos aqui sei que essa mesma vida que se fez de louca e que me carrega pode também me trazer algo de bom como um samba do Paulinho da Viola, um beijo na boca com vontade, um abraço amigo, risos descompromissados,etc.



Escrito por andré às 13h25
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BRASIL, Sudeste, SAO CARLOS, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, Arte e cultura, Política, Filosofias de Buteco
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