Poetas?
Sim, Há aqueles que brigam com tudo, e se pretendem Quixotes, mas quando em palco cai o fundo uma verdade se remove e o que se vê é outra cena, onde, fantoches de si mesmos, pintam um quadro surreal – em meio a tons pastéis-torresmos outra comédia nos acena: egos inflados em carnaval. Somem as lanças de papel, das armaduras ficam nus e gesticulam querubins, mascarados pelo céu de suas solidões em vão. Há um que berra e surta, em exagero oligofrênico – enquanto a “coréia” o aplaude e vaia um pobre inculto que percebe o fingimento. Um outro se diz alquimista, capaz de transformar em ouro a merda, se lhe fizerem coro – sua platéia goza uníssona. E, assim, nas noites das décadas, exibem-se os menestréis nesta cidade em que as pétalas são notas de rodapés. Mais vale expor a intimidade do que escrever algo que valha – pois, se a poesia falha, a biografia, quem sabe? “Cada qual com seus problemas”, loucura, magia ou fimose, serve ao público que os devore, fingindo comer poemas. No entanto, lá, no canto do boteco, o poeta que finge sem ser cancro de si mesmo, observa, ao sofrimento da luz, que fulgura em seus neurônios, reinventa o que traduz em seus goles de plutônio. Em sua dignidade de Cervantes, eu, um reles Sancho Pança, observo-o a distância: a anunciação do mito andante. Yury Miyamura Eu sei, é o quarto post seguido que não coloco um texto meu aqui. Mas trabalhar e lidar com o final do semestre é hard core. E tem algumas coisas que chegam até mim ou que eu encontro que tenho que compartilhar.Assim como essa poesia que o Yury mandou pra mim, segundo ele, por engano...sorte a nossa que ele se enganou...
Escrito por andré às 14h03
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